Empresa de Pesquisa Energética e Ministério de Minas e Energia publicam
Plano Decenal de Energia até 2023. 70% dos investimentos da próxima
década serão em combustíveis fósseis.
Na próxima década, 70% dos investimentos no setor de energia
serão
direcionados para os combustíveis fósseis enquanto as fontes
renováveis
ficarão apenas com 10% (©Rogério Reis/Tyba)
O Plano de Expansão Decenal de Energia que prevê os rumos energéticos
do país para a próxima década – no caso, entre 2014 e 2023 – e que é
atualizado anualmente foi publicado pela Empresa de Pesquisa Energética
(EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME). E, como quase sempre,
faltou ambição por parte do governo brasileiro: dos R$1,263 trilhões
previstos até 2023, 71% irão para os combustíveis fósseis, enquanto as
fontes renováveis – como PCHs, eólica, solar e biomassa – ficaram apenas
com 9,2% do montante.
“Há um aumento considerável de investimentos nas renováveis quando
comparado com os 3% que estavam previstos no plano de 2013, mas o
desequilíbrio ainda é grande”, disse Ricardo Baitelo, coordenador da
campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.
Um dos principais pontos negativos em relação ao plano apresentado no
ano passado é o aumento da previsão do consumo energético na próxima
década que passou de 63 GW para 71 GW. Para efeito de comparação, o
número representa uma nova usina de Itaipu instalada a cada dois anos.
Este crescimento foi muito puxado pela previsão exagerada do PIB médio,
entre 4,1% e 4,5%, apesar da experiência recente mostrar que esse
crescimento dificilmente será alcançado.
Com as projeções otimistas para a economia, a previsão do aumento da
participação das termelétricas fósseis dobrou e ainda inclui a conclusão
da usina nuclear de Angra 3 em 2018. Além disso, as hidrelétricas
seguem como a fonte que mais vai contribuir com esse crescimento
totalizando 31 GW, sendo que 90% desse total será alocada na Amazônia.
Para as fontes renováveis, a energia solar foi incluída pela primeira
vez no plano, com uma projeção de 3,5 GW até 2023 quando poderia ser o
dobro pela previsão do cenário [R]evolução Energética.
As eólicas são as que mais vão crescer, já que a consolidação da
indústria contribuiu para uma visão mais otimista em relação aos planos
anteriores, que minimizavam o potencial dos ventos no Brasil. Por outro
lado, a expansão da biomassa se retraiu para 4 GW, como reflexo das
dificuldades ainda enfrentadas para a contratação dessas usinas em
leilões.
A redução de consumo de energia em decorrência de ações ou programas
de eficiência energética também diminuíram e chegaram ao nível de 5,2%,
um patamar baixo se considerarmos o potencial superior a 10% nos setores
comercial, industrial e residencial.
“Se por um lado, o novo Plano Decenal de Energia traz finalmente a
inclusão da fonte solar, por outro lado, aumenta a participação das
termelétricas fósseis e mantém um baixo nível de ambição para medidas de
eficiência energética”, concluiu Baitelo.
O relatório está disponível para consulta pública até o próximo dia 5 de outubro. Basta enviar um email para
pde2023@mme.gov.br ou pelo endereço PDE 2023 Consulta Pública - SPE/MME -
Esplanada dos Ministérios, Bloco "U", 5o andar, CEP 70065-900,
Brasília-DF."
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