Organizações da sociedade civil abandonam as negociações da 19a
Conferência do Clima, em Varsóvia (© Bogusz Bilewski / Greenpeace).
“Era para termos visto um aumento de ambição e cortes de emissões, mas o que presenciamos foi o contrário – o Japão baixando suas metas, a Austrália revertendo sua legislação climática e o Brasil anunciando um aumento de 28% no desmatamento na Amazônia. Vimos o completo fracasso dos países ricos em cumprir as promessas existentes quanto ao financiamento de longo prazo, colocando as nações mais vulneráveis ainda mais em risco. Os resultados de Varsóvia mostram que o Greenpeace e outras ONGs fizeram a coisa certa ao deixar esta conferência”, disse Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional.
As principais discordâncias giraram em torno de três aspectos: as metas para cortes de emissões, o financiamento climático e um "mecanismo" para ajudar países mais pobres a lidar com as perdas e danos causados pelo aquecimento global. Apesar de ínfimo, os últimos minutos da conferência trouxeram um avanço em termos de financiamento. Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Noruega, Suécia e Suíça concordaram em contribuir com 100 milhões de dólares para o Fundo de Adaptação, para ajudar países em desenvolvimento.
Outra medida concreta que saiu da reunião foi um acordo sobre novas regras para a proteção das florestas tropicais, o chamado REDD+, que foi precedida por um compromisso conjunto dos Estados Unidos, Noruega e Reino Unido de doarem US$ 280 milhões para ações de combate ao desmatamento.
Após três anos na agenda de debates, as nações aprovaram o estabelecimento de regras, uma espécie de pacote técnico, para o funcionamento do mecanismo de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. A decisão era um dos principais objetivos do Brasil para essa COP. Entretanto, a questão mais controversa, conhecida como offsetting, foi adiada. Ponto que o Brasil é consideravelmente contra, trata-se de uma espécie de troca entre o carbono emitido pelo carbono não jogado na atmosfera pela contenção do desmatamento.
De volta ao processo
As organizações da sociedade civil deixaram a conferência por estarem cansadas de ver os países serem guiados por interesses das indústrias dos combustíveis fósseis. “Saímos dessa reunião desapontados, mas continuamos absolutamente empenhados em alcançar a cooperação internacional no âmbito das Nações Unidas, para proteger os cidadãos do mundo contra os impactos devastadores das mudanças climáticas. Nós voltaremos em Lima, no ano que vem, com esperança de ver mudanças urgentes de postura”, frisou Kumi Naidoo.
Do lado brasileiro, a proposta sobre o princípio das responsabilidades históricas colocou a equidade no centro do debate, mas falhou em vir isolada de outros elementos essenciais. “Responsabilidades históricas é importante, mas não deve ser desculpa para que países abandonem suas responsabilidades sobre as emissões atuais e futuras. Economias emergentes como Brasil e China e os velhos responsáveis por aumentar a temperatura do planeta, como os Estados Unidos, têm que se comprometer com ações de redução de emissões concretas já e não ficar só no discurso. Isso é irresponsabilidade e vai contra a urgência das mudanças climáticas”, defendeu Renata Camargo, coordenadora de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.
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