Tuesday, July 8, 2014

Nem tudo é incrível, LEGO



O Greenpeace lança hoje um vídeo para mostrar à LEGO quão perigosa é sua brincadeira com a Shell. “Queremos expor como a LEGO está colaborando para a destruição do Ártico promovendo a controversa marca da Shell em seus brinquedos”, diz Mel Evans, da campanha Salve o Ártico. A petrolífera, com seu plano de exploração na região, está sob pressão de órgãos reguladores internacionais e ONGs.
O vídeo, criado pela Don’t Panic, agência ganhadora do prêmio BAFTA (Academia Britânica de Artes para Filmes e TV), mostra um lindo Ártico feito de LEGO, com toda sua riqueza. Mas logo se percebe as consequências da exploração da Shell no local. Como trilha sonora, uma versão um pouco diferente de “Everything is Awesome”, tema principal de LEGO - O Filme.
“À toda empresa cabe a responsabilidade de escolher seus parceiros de maneira ética. A LEGO diz que pretende deixar um mundo melhor para as crianças. No entanto, sua ligação com a Shell, um dos maiores poluidores e agressores do equilíbrio climático no mundo, mostra o contrário”, expõe Evans.
A campanha, lançada dia 1º de julho, já conta com mais de 150 mil assinaturas pedindo que LEGO desmonte essa perigosa parceria. Milhares de fãs no mundo inteiro inundaram as páginas do Facebook e do Twitter da empresa de brinquedo com esse mesmo pedido.
O Presidente e CEO da LEGO, Jørgen Vig Knudstorp, respondeu ao Greenpeace. Veja sua resposta aqui: LEGO fala, mas não explica.
 

Mobilidade na corda bamba

A queda do viaduto em Belo Horizonte é mais um triste episódio em um país onde a mobilidade faz vítimas diariamente


Na frente do viaduto que desabou em Belo Horizonte, ativistas do Greenpeace criticam o legado da mobilidade. Foto: Greenpeace/Rafael Mota/NITRO

O viaduto que desabou em Belo Horizonte, na última semana, é uma metáfora perfeita de como a mobilidade urbana é tratada no Brasil. Do planejamento à execução, todas as pontas do processo estão frágeis. E afetam vidas: se a queda da estrutura matou duas pessoas e vitimou outras 23 em Minas Gerais, a cada dia uma mobilidade cambaleante também está matando – literalmente ou não – milhões de brasileiros pelas cidades.
Nesta segunda-feira, quatro ativistas mineiros do Greenpeace foram ao local do desmoronamento. Diante dos mais de R$ 700 milhões que viraram uma montanha de entulho, abriram uma faixa: “Este é o legado de mobilidade”. Triste legado. E desnecessário. Quando a primeira marretada anunciou o início das obras, o projeto já estava sob investigação do Ministério Público Estadual, que não demorou para identificar superfaturamento e má execução da obra.
Mesmo sob suspeita, a construção do viaduto seguiu em frente e causou uma tragédia. E essa não foi a única. Exatamente um mês atrás, uma viga caía da obra do monotrilho, em São Paulo, matando uma e vitimando outras duas pessoas. Ambos os projetos estavam no planejamento de obras de mobilidade para a Copa do Mundo. Um pacote que não vingou: para além das falhas de execução, a falta de planejamento e a inversão de prioridades impediram que os Estados entregassem vários projetos prometidos, como mostra um levantamento do Greenpeace.
Apesar de decepcionante, as promessas não cumpridas para a Copa já eram esperadas. Porque não se resolve em poucos anos um problema que é de décadas. Para saírmos do engarrafamento em que a mobilidade se meteu, é necessário um compromisso conjunto de todas as esferas de governo. E permanente. Políticas públicas de longo prazo só são possíveis com orçamento e planejamento. Atualmente, a mobilidade urbana não tem uma coisa nem outra no país.
O período eleitoral é uma ótima oportunidade para se colocar o assunto na mesa. Como líder do executivo, o governo federal precisa assegurar transporte como um direito social e dedicar investimentos para tanto, assim como o faz com saúde e educação. E mais que prover recursos, tem de garantir que estados e municípios tenham condições técnicas para planejar e executar seus projetos. Como problema estrutural que se tornou, a mobilidade urbana não tem solução mágica com pacotes bilionários que surjam eventualmente.
A base da mudança precisa ser contruída. E para já. Porque mais que desculpas públicas, queremos compromissos concretos. Mais que viadutos, queremos calçadas, ciclovias, ônibus e metrôs que funcionem. Queremos vida, afinal. E ela está sendo tirada de nós todos os dias. Seja com viadutos que desabam ou com os que são erguidos. Quando vamos além?


* O Greenpeace agradece a moradores da área circunvizinha à obra, que permitiram acesso ao local e a realização das fotos. Eles dizem que seus prédios já sofreram abalos com a obra do viaduto e temem mais impactos.

Monday, July 7, 2014

Baile de Máscaras

Lei aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo proíbe uso de máscaras em manifestações e limita nossa liberdade de expressão


Ativistas do Greenpeace usaram uma máscara com o rosto da Senadora Katia Abreu para denunciar os ataques da bancada ruralista contra o Código Florestal

No último dia 04, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou uma lei que proíbe cidadãos de usarem máscaras ou qualquer outro instrumento que oculte a face, ou dificulte ou impeça sua identificação. Com a desculpa de que isso serviria pra coibir excessos em manifestações, a lei acaba por criar uma situação absurda, que anula uma forma tradicional das pessoas se manifestarem nos mais diferentes contextos – desde marchas e protestos até festividades culturais. Se a moda pega e o texto for realmente sancionado pelo governador Geraldo Alckmin, corremos o risco de ter a extinção da parada das drag queens, das micaretas e carnavais fora de época, dos foliões mascarados de Neymar e até dos transplantados que precisam usar máscaras hospitalares ou dos trabalhadores que usam máscaras como equipamento de segurança.

Brincadeiras à parte, as máscaras são parte importante dos recursos lúdicos usados pelo Greenpeace e por diversos outros grupos em seus protestos. Foram, por exemplo, o recurso escolhido para uma atividade realizada em 2009, quando ativistas do Greenpeace usaram uma máscara com o rosto da Senadora Katia Abreu para denunciar os ataques da bancada ruralista contra o Código Florestal. A Senadora processou o Greenpeace pedindo indenização por danos morais, mas a Justiça entendeu que a atividade representava apenas o exercício do direito à livre manifestação, assegurado pela Constituição Brasileira.
 A lei aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo é mais um componente da escalada de cerceamento das liberdades que temos presenciado desde junho de 2013, quando a população foi às ruas exigir a garantia de seus direitos básicos. Na prática, uma lei assim parte do pressuposto de que todos são suspeitos e criminosos em potencial. E o problema não se limita a São Paulo, já que outras leis similares já foram aprovadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, e outras propostas que pretendem limitar o direito à manifestação também tramitam no Congresso Nacional.

Esta lei é um reflexo claro da surdez dos governantes brasileiros que, ao invés de ouvir a voz das ruas e buscar soluções concretas, criam leis e outros instrumentos que aumentam ainda mais a revolta da população porque são feitas simplesmente para dificultar a vida de quem ousa protestar.

Para um país que conquistou sua democracia recentemente, e a duras penas, a sanção a esta lei dá um sinalização bastante ruim. Esperamos que o governador Geraldo Alckmin observe os direitos constitucionais de livre manifestação e expressão e vete integralmente a proposta de lei aprovada pela Assembleia Legislativa.
Leia mais:
http://www.conectas.org/pt/acoes/justica/noticia/24188-liberdades-em-risco

Thursday, July 3, 2014

Lego fala, mas não explica


Twitter da Shell, após início da campanha do Greenpeace: "Somos determinados em gerar impactos positivos na sociedade e nas crianças. Ficamos tristes quando nossa marca é usada em qualquer disputa".

Nós estamos tristes de ver um brinquedo popular como o Lego sendo usado pela Shell, uma das empresas mais irresponsáveis do mundo. Contamos com ajuda dos chefes da Lego para limparmos essa imagem.
O Greenpeace gosta da Lego: seus brinquedos proporcionam inspiração e educação, além de horas de diversão para milhões de crianças e até mesmo alguns adultos ao redor do globo. É umas das empresas mais avançadas com as quais já trabalhamos, com ótimas estratégias para amenizar os impactos ecológicos e tornar o mundo mais limpo e verde. É por isso que a parceria da Lego com a Shell é uma notícia ruim.

Ao apoiar uma gigante exploradora de petróleo no Ártico como a Shell, a Lego perdeu sua moral. A petroleira vai totalmente contra os princípios ecológicos seguidos pela companhia.
A Lego quer barrar as mudanças climáticas. A Shell quer manter nossa dependência de combustíveis fósseis poluentes, como o petróleo. Especialistas estimam que tal exploração faça com que a temperatura média do planeta suba cerca de 4 graus, resultando em seca e fome para milhões de pessoas, além de comprometer biomas importantes, como a floresta amazônica e o Ártico.
A Lego é a favor das energias renováveis. A Shell vendeu a maior parte de seus negócios renováveis e continua sendo uma influência negativa na luta contra o catastrófico aquecimento global, apoiando os céticos do clima e ignorando projetos que visam a energia limpa.
A Lego é aficionada por biomas únicos como o Ártico. A Shell vê o Ártico como uma oportunidade para expandir seus negócios. Através do derretimento das calotas polares, quer explorar petróleo na região e acabar de vez com esse ambiente maravilhoso.
A Lego afirmou que espera que a Shell aja de acordo com a legislação onde quer que estejam. Existem evidências que a Shell não é capaz de operar  de forma segura e legal. Além de ser responsável por um grave acidente envolvendo dois petroleiros, causando um grande incêndio, violou leis mais de uma vez, ao tentar explorar petróleo no Alasca.

Seus navios petroleiros Noble Discoverer e Kulluk não cumpriram com os limites de poluição estabelecidos pelo E.U.A Clean Air Artic, que visa manter a máxima preservação de biomas importantes para o planeta. Autoridades descobriram múltiplas violações durante o tempo em que os navios atuavam nas águas geladas do Ártico, gerando uma multa de mais de um milhão de dólares.
Tanto a Lego quanto o Greenpeace querem proporcionar um futuro melhor para as futuras gerações. Já a Shell tem um visão um tanto quanto preocupante para nossas crianças.

A Shell se camufla atrás de empresas que têm boa reputação no mercado para continuarem trabalhando de forma ilegal. Assim, essas empresas geram milhões de elogios para as operações da Shell. Esse apoio é totalmente injustificável de acordo com os princípios ambientais adotados pela empresa.
A única razão dessa parceria é a disseminação da marca. A indústria de brinquedos mais popular do mundo precisa deixar de lado seus princípios para aumentar sua venda?

“Só o melhor é bom e suficiente”, afirma o presidente executivo da Lego, Jørgen Vig Knudstorp. Gostaríamos que essa afirmação fosse verdade, mas enquanto a empresa continuar com a parceria com a Shell, esse lema deve ser ignorado.
A Lego precisa se juntar na proteção do Ártico e eliminar a Shell de seus planos, e assim proporcionar um futuro melhor para nossas crianças.

Grupo de Voluntários do Rio de Janeiro no projeto Quilombo Solar

Em 2013, o Greenpeace Brasil junto com seus voluntários instalou painéis solares no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Rio de Janeiro. O projeto teve como uns de seus objetivos mostrar a viabilidade da geração de energia solar, bem como o treinamento e empoderamento dos jovens da região.
Em 2014, o Grupo de Voluntários do Rio de Janeiro, em articulação com outras organizações e associações comunitárias, iniciaram o Projeto Quilombo Solar, que instalou placas solares e treinou mais de 20 jovens no Quilombo do Grotão, em Niterói. O Lançamento do Projeto aconteceu no último sábado, dia 28 de Junho.
Lançando mão de ferramentas de mobilização como o financiamento coletivo, e estabelecendo parcerias estratégicas, o projeto foi um grande exemplo de voluntários do Greenpeace assumindo uma atitude de liderança e autonomia, demonstrando o poder dos jovens em fazer a mudança acontecer.
Veja o emocionante relato desse processo de mobilização e construção no texto da voluntária Enilce Melo, pois ninguém melhor para contar a história, do que quem participou dela.
 “Me senti, talvez pela primeira vez, participando de algo que me parecia uma alternativa real para minimizar o impacto ambiental, de aumentar a eficiência energética do país e ao mesmo tempo de democratizar e promover a integração econômico-social”. 
Saiba mais sobre o projeto aqui.

Wednesday, July 2, 2014

Direito à manifestação em grave risco

Em São Paulo, prisão de estudante e professor em protesto pacífico reforça a política de repressão que governos têm adotado como única resposta às manifestações.


Pelo direito de estar nas ruas. Foto: ©Greenpeace/Brunno Marchetti

Na última terça-feira, dia 1 de Julho, observamos uma nova demonstração da incapacidade do poder público de respeitar o direito à manifestação dos cidadãos brasileiros e abrir canais de diálogo com a população.
Em ato pacífico contra a prisão do estudante Fábio Hideki e do professor Rafael Lusvarghi, detidos em protesto no dia 23 de Junho, em São Paulo, policiais agiram com força desmedida visando constranger e dispersar os presentes. Contando com a presença da Cavalaria e da Tropa de Choque, e o uso de técnicas de intimidação, a polícia, mais uma vez, demonstra que está a serviço de agenda de governantes que entendem que a repressão é melhor forma de responder à voz das ruas. Ainda que o ato fosse pacífico, seis pessoas foram detidas, novamente sem evidências de crime apresentadas.
Não existe democracia se não há espaço para manifestação pacífica, diálogo e participação popular, sempre que o povo julgar necessário. Entretanto, o que se vê é a escalada dos casos de abuso do poder repressivo com o objetivo de forçar a população a se calar, e até mesmo prisões arbitrárias já são um fato cotidiano.
O Greenpeace segue junto na luta pela garantia de direitos dos cidadãos, e soma sua voz à de todas e todos que lutam por um país melhor, com democracia real.

Como organização fundada sob o princípio da não-violência e do ativismo, seguiremos nas ruas apoiando o direito da população de expressar seus anseios por mudanças e também para condenar qualquer tentativa de criminalizar movimentos sociais e indivíduos.

Vazamento de óleo na Legolândia

Feito em miniaturas, com peças de Lego, novo protesto do Greenpeace pede que a parceria da Shell com a marca de brinquedos seja interrompida.


No Canadá, Greenpeace simula vazamento de petróleo em miniatura.

O parque temático da Legolândia em Billund, na Dinamarca, amanheceu coberto de petróleo e tomado por protestos de ativistas do Greenpeace. O cenário, porém, era todo em miniatura, feito com peças de Lego. A simulação é parte da campanha global do Greenpeace  para que uma das maiores empresas de brinquedo do mundo desfaça a parceria que fechou com a Shell. A petrolífera é uma das principais responsáveis por colocar em risco o Ártico, com seus planos de exploração de óleo na região.
A Lego, umas das marcas mais conhecidas e queridas pelas crianças, carrega há alguns anos um contrato publicitário com a Shell. O objetivo da gigante do petróleo é desviar a atenção de suas atividades controversas no Ártico. Nesta terça-feira, o Greenpeace espalhou uma série de simulações de protestos pelo mundo, feitas com os bloquinhos coloridos. Nas faixas abertas pelos mini-ativistas um recado: “Lego, salve o Ártico. Pare de brincar com a Shell”.
Mais de 110 mil pessoas de diferentes países já enviaram mensagens à Lego pedindo que deixe de lado essa parceria. Desse total, 14 mil emails vieram de consumidores no Brasil.
Desde 2012, o programa de exploração da Shell vem enfrentando muitas críticas não só de ONGs, mas também de órgãos reguladores. Enquanto isso, a companhia se aproximou da Lego e ambas fecharam um contrato de peso entre elas. O resultado foram mais de 16 milhões de produtos da Lego feitos com a logomarca da petrolífera e distribuídos em mais de 26 países. Um comunicado recente da Shell informava que a parceria de US$ 116 milhões com a marca de brinquedos gerou um aumento de 7,5% nas vendas da empresa de petróleo.
“A Shell atualmente só pode ter acesso ao petróleo do Ártico porque o aquecimento global está derretendo rapidamente o gelo da região. Ironicamente, as companhias de petróleo, como ela, são uma das principais responsáveis por esse derretimento acelerado”, explicou Fabiana Alves, coordenadora da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “As mudanças climáticas são uma ameaça ao futuro das crianças. A Shell está tentando manipular a imagem da Lego, usando os brinquedos para desviar a atenção de suas ações controversas. A Lego ainda pode dar um passo atrás e se pronunciar a favor da proteção do Ártico e das crianças, quebrando seu contrato com a Shell”.