Retze Koen, coordenador do projeto Jugendsolar, em workshop de cozinha solar em Recife, durante visita do navio Rainbow Warrior (©Greenpeace/RPCI/Rodrigo Paiva) Quando o assunto é energia solar, o Brasil tem um papel primordial no incentivo desta fonte. Seu imenso potencial inaproveitado poderia trazer muitos benefícios ao país, ao meio ambiente e à população. E não somos apenas nós, do Greenpeace Brasil, que enxergamos todas essas oportunidades, Retze Koen, do Greenpeace Suíça, também concorda que o Brasil pode e deve aproveitar o que o Sol tem para nos oferecer.
Retze é coordenador do projeto Jugendsolar (Juventude Solar, em alemão) e é especialista em energia solar.
Greenpeace: Qual a importância e qual o papel do Brasil no cenário da energia solar?
Retze: O Brasil tem um papel central devido ao seu potencial imenso de energia solar. Incentivar e promover o uso de energia solar no país é uma maneira de criar muitos empregos locais, especialmente para os jovens. Também é uma excelente oportunidade quando comparada com a mão-de-obra altamente especializada exigida para construir termelétricas a carvão ou usinas nucleares. Fica claro que essa energia pode gerar muitas oportunidades para todos e em vários lugares do país. Outro aspecto que deve ser ressaltado no papel que o Brasil deve desempenhar é o de evitar grandes plantas centralizadas de energia, como novos reatores nucleares e usinas de gás e carvão, e tornar a produção de energia mais limpa e segura.
GP: Hoje, no Brasil, o uso da energia solar e de microgeradores nas residências ainda é limitado devido aos custos ou ao conhecimento que a população tem dos benefícios da energia solar. Como podemos mudar essa situação?
R: Uma boa maneira é mobilizando os jovens, possibilitando que eles instalem painéis em escolas, em centros comunitários e clubes esportivos para aumentar o interesse da população pelo assunto e ao mesmo tempo ensiná-los para que possam se tornar técnicos no assunto. Além disso, os bancos podem ser incentivados a promover financiamentos para as pessoas que queiram instalar painéis fotovoltaicos ou térmicos. Outra solução é pressionar o Ministério da Educação para que ele inclua energias renováveis e eficiência energética no programa escolar.
GP: Pensando a longo prazo, a energia solar pode trazer malefícios ao meio ambiente?
R: Não, uma vez que basicamente o material dos painéis que utilizamos é areia de quartzo, muito comum e que não apresenta problemas. O desafio é trabalhar com os paineis de filme finos, que geralmente contêm substâncias tóxicas, mas que uma vez selados corretamente podem ser reciclados, sem causar danos ao meio ambiente.
GP: A matriz energética brasileira está baseada em hidrelétricas, que podem ter impactos ambientais irreversíveis. A energia solar pode ser um bom contraponto nessa questão?
R: A energia solar pode ajudar a limpar a matriz energética brasileira sem causar muitos impactos. Plantas de energias renováveis descentralizadas e limpas trazem benefícios e possibilidades para muitas pessoas, então, acho que um bom caminho é o de implementar pequenos projetos nas comunidades menores. Dessa forma, estamos espalhando conhecimento, criando empregos e mostrando tanto aos políticos quanto à população que a energia solar é uma possiblidade.
GP: O Brasil está se tornando a quinta maior economia mundial. Para você, porque é tão difícil conciliar crescimento econômico com preservação ambiental? Você acha que é mais difícil para o Brasil lidar com esse desequilíbrio?
R: Eu acredito que é um desafio para todos os países. Claro que para os países que estão crescendo mais rapidamente – como Brasil, China, Índia, África do Sul e Rússia – é uma questão parece estar mais urgente do que nos antigos países industriais. Eles estão se desenvolvendo mais rapidamente e é difícil para o governo e para a sociedade civil acompanhar e providenciar proteção ambiental, direitos civis, boa educação, etc, tudo leva muito tempo para se desenvolver. Em países como o Brasil pode ser verdade que as pessoas não estão conscientes sobre os problemas da poluição, escassez de recursos e mudanças climáticas. Quando trabalhei na Rio+20, durante a vinda do Rainbow Warrior para o Brasil, com a cozinha solar, fiquei impressionado e surpreso pela reação do público e da imprensa. O fogão solar parecia ser algo novo para eles, eles estavam muito interessados.
xat
Wednesday, May 15, 2013
Mobilização pelo sol
Retze Koen, coordenador do projeto Jugendsolar, em workshop de cozinha solar em Recife, durante visita do navio Rainbow Warrior (©Greenpeace/RPCI/Rodrigo Paiva) Quando o assunto é energia solar, o Brasil tem um papel primordial no incentivo desta fonte. Seu imenso potencial inaproveitado poderia trazer muitos benefícios ao país, ao meio ambiente e à população. E não somos apenas nós, do Greenpeace Brasil, que enxergamos todas essas oportunidades, Retze Koen, do Greenpeace Suíça, também concorda que o Brasil pode e deve aproveitar o que o Sol tem para nos oferecer.
Retze é coordenador do projeto Jugendsolar (Juventude Solar, em alemão) e é especialista em energia solar.
Greenpeace: Qual a importância e qual o papel do Brasil no cenário da energia solar?
Retze: O Brasil tem um papel central devido ao seu potencial imenso de energia solar. Incentivar e promover o uso de energia solar no país é uma maneira de criar muitos empregos locais, especialmente para os jovens. Também é uma excelente oportunidade quando comparada com a mão-de-obra altamente especializada exigida para construir termelétricas a carvão ou usinas nucleares. Fica claro que essa energia pode gerar muitas oportunidades para todos e em vários lugares do país. Outro aspecto que deve ser ressaltado no papel que o Brasil deve desempenhar é o de evitar grandes plantas centralizadas de energia, como novos reatores nucleares e usinas de gás e carvão, e tornar a produção de energia mais limpa e segura.
GP: Hoje, no Brasil, o uso da energia solar e de microgeradores nas residências ainda é limitado devido aos custos ou ao conhecimento que a população tem dos benefícios da energia solar. Como podemos mudar essa situação?
R: Uma boa maneira é mobilizando os jovens, possibilitando que eles instalem painéis em escolas, em centros comunitários e clubes esportivos para aumentar o interesse da população pelo assunto e ao mesmo tempo ensiná-los para que possam se tornar técnicos no assunto. Além disso, os bancos podem ser incentivados a promover financiamentos para as pessoas que queiram instalar painéis fotovoltaicos ou térmicos. Outra solução é pressionar o Ministério da Educação para que ele inclua energias renováveis e eficiência energética no programa escolar.
GP: Pensando a longo prazo, a energia solar pode trazer malefícios ao meio ambiente?
R: Não, uma vez que basicamente o material dos painéis que utilizamos é areia de quartzo, muito comum e que não apresenta problemas. O desafio é trabalhar com os paineis de filme finos, que geralmente contêm substâncias tóxicas, mas que uma vez selados corretamente podem ser reciclados, sem causar danos ao meio ambiente.
GP: A matriz energética brasileira está baseada em hidrelétricas, que podem ter impactos ambientais irreversíveis. A energia solar pode ser um bom contraponto nessa questão?
R: A energia solar pode ajudar a limpar a matriz energética brasileira sem causar muitos impactos. Plantas de energias renováveis descentralizadas e limpas trazem benefícios e possibilidades para muitas pessoas, então, acho que um bom caminho é o de implementar pequenos projetos nas comunidades menores. Dessa forma, estamos espalhando conhecimento, criando empregos e mostrando tanto aos políticos quanto à população que a energia solar é uma possiblidade.
GP: O Brasil está se tornando a quinta maior economia mundial. Para você, porque é tão difícil conciliar crescimento econômico com preservação ambiental? Você acha que é mais difícil para o Brasil lidar com esse desequilíbrio?
R: Eu acredito que é um desafio para todos os países. Claro que para os países que estão crescendo mais rapidamente – como Brasil, China, Índia, África do Sul e Rússia – é uma questão parece estar mais urgente do que nos antigos países industriais. Eles estão se desenvolvendo mais rapidamente e é difícil para o governo e para a sociedade civil acompanhar e providenciar proteção ambiental, direitos civis, boa educação, etc, tudo leva muito tempo para se desenvolver. Em países como o Brasil pode ser verdade que as pessoas não estão conscientes sobre os problemas da poluição, escassez de recursos e mudanças climáticas. Quando trabalhei na Rio+20, durante a vinda do Rainbow Warrior para o Brasil, com a cozinha solar, fiquei impressionado e surpreso pela reação do público e da imprensa. O fogão solar parecia ser algo novo para eles, eles estavam muito interessados.
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