Friday, September 4, 2020

Dia Nacional do Voluntariado: ativistas falam sobre o propósito de lutar por dias melhores e mais verdes

por Luana Leal

 

“É saber que sozinha eu sou capaz de fazer algo, mas que se juntar uma galera seremos capazes de multiplicar esse resultado e fazer uma transformação enorme”, disse Thayane Silva, voluntária de Recife

Nada mais justo do que começarmos falando da data que bombou as redes sociais dos grupos locais essa semana. Dia 28 de agosto, voluntários, voluntárias e diversas Organizações uniram-se para celebrar o Dia Nacional do Voluntariado. A ocasião, além de lembrar a todes sobre a importância da participação de cada um nessa jornada, é também uma oportunidade linda para homenagear aqueles que lutam lado a lado, compartilhando experiências e dividindo aprendizados em prol de um mundo mais sustentável. 

A primeira ação foi um vídeo, idealizado e produzido a partir da união de voluntas de todo o país, no qual cada participante contou um pouco sobre as atividades e momentos que mais os marcaram. Vem ver, ficou lindo <3

Os grupos locais também postaram álbuns de fotos relembrando os melhores momentos que passaram juntes. Alguns voluntas descreveram a sensação de pertencer ao time de voluntários e voluntárias do Greenpeace Brasil como “ser parte de uma grande família”.

Grupo de Brasília <3

Grupo de São Paulo <3

Grupo de Manaus <3

Grupo de Porto Alegre <3

Grupo em formação – Litoral Norte/RS <3

Grupo de São Luís <3

 

Toda essa galera, somada a mais dezenas de pessoas, resultam em cerca  de 3.500 espíritos corajosos, que se espalham por mais de 300 cidades do Brasil. 

Dando continuidade às ações que rolaram, vamos agora para Recife. O grupo reuniu, em um vídeo, várias palavras-chave escolhidas pelos voluntários e voluntárias para sumarizar o significado de “Voluntariado”. Vem conferir tudo aqui 🙂 

Em Belo Horizonte os voluntas também abriram o coração e contaram como sentem-se fazendo parte do voluntariado. Ao todo foram 16 depoimentos calorosos e super especiais. Você confere todos eles no instagram oficial do grupo 🙂

Para finalizar, não podíamos deixar de fora o Festival do Voluntariado! 

Planejado pelo Atados e com a presença de várias Organizações, como a Anistia Brasil, EngajaMundo, Ação da Cidadania e Greenpeace Brasil, o evento contou com uma roda de conversa entre os representantes sobre as experiências com o voluntariado antes e durante a pandemia. As Instituições também debateram e trouxeram visões sobre a participação social ativa no Brasil. E representando todos os nossos grupos locais, o nosso Coordenador de Comunidades, Rafael Fernandes, enalteceu o trabalho e empenho de todes os voluntários e voluntárias da ONG, além de claro, o time que trabalha lado a lado com os grupos. <3

“Foi incrível poder estar ao lado de outras Organizações que atuam em diferentes temáticas e estratégias falando sobre o voluntariado e a sua importância para o desenvolvimento de pessoas mais empáticas e dispostas a contribuir por um mundo mais justo.”, comentou o Rafa.

O bate papo foi super interessante e agregador, e você consegue conferir como foi tudo aqui 🙂  PortoNão

No Litoral Norte a pauta local também continua fervendo. Junto ao grupo de Porto Alegre e outras ONGs sulistas, os voluntas têm reforçado semanalmente os malefícios da possível construção de um porto no litoral gaúcho. Além de degradar o meio ambiente, o projeto aumentará a poluição local.

Tem petição rolando

, vem assinar e contribuir com a causa 🙂

 

Nos dias 28, 29 e 30 de agosto o @fridaysforfuturebrasil

organizou uma série de mobilizações online pela Amazônia. No total foram 3 tuitaços, com o apoio de diversas Organizações e movimentos. O grupo de Brasília entrou nesse barco e engajou-se junto. Para complementar, os voluntas também postaram fotos nas redes sociais em defesa das florestas.

 

Chegamos na sessão preferida dos cinéfilos! A indicação da semana é o documentário “Ser tão Velho Cerrado”, e veio do grupo de Recife. Quer motivos para assistir ao longa? O grupo te dá:

“Essa indicação deveria ser obrigatoriedade nacional, isso mesmo, a relevância do Cerrado, sua biodiversidade, questão social e equilíbrio hidrológico no Brasil é G-I-G-A-N-T-E-S-C-A, mas infelizmente é um bioma pouco valorizado”.

Vem ver o longa aqui 🙂

Você sabe como os microplásticos afetam a vida marinha? Então vem que os voluntas de Manaus te explicam: 

Os pedacinhos microscópicos de plástico que escoam pelos esgotos chegam aos rios e contaminam a água das torneiras, os mares, os peixes e o sal marinho, sabia? É isso mesmo, eles estão presentes até no ar que respiramos!

27/08 – Dia da Limpeza Urbana 

Em Goiânia, os voluntas trouxeram à tona um tema que é pouco debatido, mas super importante. No Dia da Limpeza Urbana, elxs explicaram a realidade sobre a produção de lixo nas grandes cidades e como a maioria da população tende a achar que os resíduos que produzimos diariamente desaparecem do mapa. Também homenagearam os profissionais de limpeza, que trabalham todos os dias para manter nossos centros urbanos limpos, e também aproveitaram para indicar um site de reciclagem.

 

27/08 – Cine debate Brasília

O grupo se reuniu com o convidado Bernardo Feitosa, nutricionista, para falar sobre estilos de vida e vieses alimentares sustentáveis, além de esclarecer dúvidas acerca de dietas vegetarianas e veganas. 

Como base para discussão, a organização do grupo sugeriu que todes os participantes assistissem ao documentário “Dieta de Gladiadores”, disponível na Netflix. Para você que se interessa pela pauta da alimentação e consumo consciente, vale a pena conferir 🙂

 

28/08 – Evento sobre os recifes da Amazônia 

O grupo de Macapá organizou uma roda de conversa virtual voltada para a divulgação científica elaborada pela estudante Flávia Guedes, sob orientação da professora e Doutora Janaína Freitas, que também é voluntária do grupo. Os participantes abordaram temas como as composições da Foz do Rio Amazonas e cuiosidades acerca da região.

 

28/08 – 1° reunião online do grupo de São João del Rei

O grupo aproveitou a data especial para organizar uma web confraternização, com o intuito de integrar os novos participantes, planejar futuras atividades e trocar experiências e aprendizados relacionados ao ativismo ambiental.

 

28/08 – Reunião online grupo do Litoral Norte/RS

Os voluntários e voluntárias reuniram-se para planejar as ações no Clean Up Day 2020, analisar o engajamento do grupo nas redes sociais e alinhar demais assuntos gerais – além de claro, confraternizarem pelo Dia do Voluntariado <3

29/08 – Reunião de boas vindas – João Pessoa

O grupo, ainda em formação, preparou um encontro virtual para receber os novos integrantes, esclarecer dúvidas sobre a Organização e planejar as próximas ações online.

 

29/08 – Reunião online grupo de Salvador  

Pautando as atividades planejadas para setembro e o feedback das ações virtuais produzidas até agora, o grupo baiano reuniu-se para definir as demandas gerais e comemorar a semana do voluntariado.

 

Os voluntas de Belo Horizonte inspiraram-se no esquenta que o grupo de Navegantes, que está em formação, fez para o Clean Up Day desse ano e resolveram mostrar que também estão no jogo. A voluntária Ana Caroline compartilhou, nas redes sociais, um vídeo falando sobre as atitudes do cotidiano que ela pratica para cuidar do seu quadrado. Dentre os exemplos, a volunta contou que reutiliza o óleo de cozinha para produzir sabão. Legal, né?

Vem ver o relato da Ana aqui 🙂

E não para por aí! Porto Alegre também entrou no clima e aproveitou a semana do voluntariado para compartilhar informações e materiais disponibilizados pelo Instituto Limpa Brasil e a Teoria Verde, que estão a frente do Clean Up Day 2020. Lembrando que o evento ocorre no final de setembro e abordará a temática #EuCuidoDoMeuQuadrado.

29/08 – Amazônia e voluntariado

O grupo de Cariri, ainda em formação, finalizou a semana do voluntariado com um bate-papo pra lá de especial. Os voluntas convidaram a Kimberly Silva, do grupo de Belém, para falar sobre a experiência no ativismo dentro do Greenpeace e as relações da mobilização com a defesa da Amazônia.

 

31/08 – Live sobre veganismo

O grupo de BH aproveitou a Segunda Sem Carne para organizar uma roda de conversa sobre veganismo. Como convidados, participaram do evento o nutricionista Paulo Victor Pinheiro, e a nutricionista e coordenadora da Sociedade Vegetariana Brasileira de Brasília, Anna Michaella Aguiar. 

Você confere a live na íntegra aqui 🙂

 

Fortaleza pelas Dunas

O grupo cearense continua com a campanha em defesa das dunas, e agora lançou o segundo ciclo de mobilizações que promete engajar ainda mais pessoas a assinarem a petição pela causa. 

Para inaugurar o ciclo com estilo e impacto, os voluntários e voluntárias divulgaram um vídeo incrível que te deixa por dentro de toda a história e te instiga a querer saber mais. Você encontra o curta aqui 🙂

Lembrando que as dunas abrigam dezenas de espécies de animais e de plantas cearenses, algumas inclusive ameaçadas de extinção; portanto, ao serem destruídas, o impacto afetará toda a biodiversidade local.

Quer ajudar? Assine a petição

que está rolando no Bugio 🙂

 

Uma das maneiras de evitar os problemas gerados pelos microplásticos é rever nossos hábitos de consumo. Afinal, é também a nossa saúde que está em jogo.

Faça parte da campanha contra a poluição dos mares pelo lixo plástico #agenteLIGAparaooceano

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A iniciativa é da @ligadasmulherespelooceano

, em parceria com @museumfortheun , @purpose e @bloom.ocean

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Pega o avental e os temperos que essa semana tem uma receita mais gostosa e saudável que a outra: 

Almôndegas de lentilha – Recife <3

 

Carne de casca de banana – Belo Horizonte <3

Empadão vegano – Macapá <3

A semana do voluntariado rendeu, além de muitas declarações lindas e mensagens de união, um recorde no número de #TBT´s. Vem ver tudo: 

#TBT BH 

No dia 05 de outubro de 2013, os voluntários de BH foram à praça da Assembleia para realizar uma atividade em apoio aos ativistas presos na Rússia. O objetivo era pedir a libertação desses militantes, que foram acusados injustamente por pirataria e vandalismo.

Entenda o caso:

O grupo do Greenpeace foi preso no dia 19 de setembro e permaneceu detido durante dois meses sob a acusação de vandalismo. Em novembro, eles receberam o direito de responder ao processo em liberdade mediante pagamento de fiança, mas não poderiam deixar o país.

 

A prisão do grupo, chamado pelo Greenpeace de “30 do Ártico” – que inclusive tinha a presença da brasileira Ana Paula, provocou fortes críticas à Rússia por parte do Ocidente e foi vista como um sinal de que Vladimir Putin não pretendia tolerar esforços para interromper a exploração de recursos da região do Ártico.

#TBT Goiânia 

Em clima de festa, o grupo relembrou a confraternização organizada no final do ano passado, que reuniu os voluntas em uma noite de boliche. Saudades de poder se aglomerar com uns ativistas por aí, né?

#TBT Macapá 

Já os voluntas de Macapá, em uma pegada mais engajada, relembraram um cine debate do filme Deepwater Horizon, que serviu de gatilho para a discussão sobre os riscos da exploração de petróleo na costa do Amapá. O bate papo rolou em julho de 2019 na Casa Viva, um lugar inspirador de arte e colaborAÇÃO. <3

Tem vídeo da atividade aqui 🙂 

 

#TBT Fortaleza

A saudade que bateu no grupo cearense foi do teatro ao ar livre realizado pelo povo indígena do Estado da Paraíba, conhecidos como o povo Potiguara. O evento rolou em 2016, no sítio Arqueológico da Pedra do Ingá. O local é bastante visitado por cientistas, ufólogos, universitários e curiosos que buscam desvendar os enigmas das inscrições rupestres entalhadas no famoso bloco de granito que fica às margens do rio Ingá.

Seguiremos atualizando e apoiando os grupos, afinal, estamos todes juntos nessa 🙂

Asas da Emergência e o enfrentamento da Covid-19 por indígenas em áreas remotas e de fronteira na Amazônia

por Camila Doretto  

No interior do Acre e do Amazonas, lideranças precisam sair do território para lutar pelo direito à vida e pela saúde de seu povo

“A gente quer lutar contra esse vírus até a última respiração”. A frase foi dita por Wallace Apurinã, coordenador da Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi (Opiaj), no município de Pauini, sul do Amazonas, durante uma conversa que tivemos com ele quando da entrega de doações transportadas pelo projeto Asas da Emergência – iniciativa que visa apoiar a luta dos povos indígenas da Amazônia no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. 

A fala de Wallace carrega o peso de séculos da história de resistência dessas populações que seguem lutando contra inaceitáveis violações de direitos. A pandemia é mais uma ameaça entre uma avalanche de violências e, em poucos meses, já levou centenas de almas que com elas carregaram parte da cultura, do conhecimento e da história dos povos da Amazônia. 

Entre os dias 28 de julho e 1 agosto, uma equipe do Asas da Emergência voou para algumas cidades de regiões conhecidas como Alto Purus e Alto Juruá, próximas à fronteira com o Peru. Durante as entregas das doações, foi possível ouvir de lideranças indígenas um retrato ampliado de como seus povos estão enfrentando a pandemia no chão da floresta. 

Durante a viagem foram entregues 2.3 toneladas de doações nos municípios de Jordão, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus, no Acre, e Pauini, no sul do Amazonas. Entre os itens estavam cilindros e concentradores de oxigênio, geradores de energia, álcool em gel, materiais de higiene, máscaras cirúrgicas, entre outros. As doações poderão contribuir com o atendimento de pelo menos 13.150 mil indígenas que vivem na região.

Ajustes de um caminho

Com o processo de interiorização da Covid-19 para áreas remotas, em lugares onde o acesso só é possível de barco ou de avião pequeno, o Asas da Emergência mudou sua estratégia de ação. Além de continuar levando materiais para a prevenção, o projeto passou a apoiar a montagem das enfermarias de campanha. Chamadas de Uapi (Unidade de Atenção Primária Indígena), essas enfermarias são estruturas já existentes ou em construção, próximas às aldeias ou dentro dos territórios, que estão sendo equipadas para o atendimento de casos leves e moderados da doença, permitindo assim o tratamento dentro das comunidades e ajudando a evitar a ida das populações indígenas para as cidades. 

É importante destacar que o rumo que direciona a proa deste grande esforço de solidariedade nunca foi definido de forma solitária. “Tanto os povos indígenas como todo o movimento indígena têm sido grandes protagonistas da mobilização dessa rede de solidariedade para enfrentar a pandemia. A Coiab, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, é parte importante dessa articulação e nos auxilia a direcionar a ajuda de acordo com o que é urgente no momento”, explica Carol Marçal, da Campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.

A cada nova pista onde pousamos no interior dos estados do Amazonas e Acre, ouvimos de lideranças indígenas que, apesar do desejo de não deixar as aldeias, sair do território tem sido necessário. Alguns representantes passaram a fazer a ponte entre seu povo e os centros urbanos para necessidades como comprar mantimentos, recolher benefícios, dialogar com o poder público local, receber as doações que têm sido essenciais ao enfrentamento da doença e, principalmente onde o vírus já chegou, lutar por seus direitos de levar o mínimo de assistência de saúde para os territórios. 

“Apesar de tudo o que estávamos vivendo, eu tive que arrancar forças dos ancestrais e provar que eu estava junto com meu povo. Eu sou parte deles e eles são parte de mim. Na minha aldeia, a gente tem uma estrutura onde a gente isolou quem estava contaminado, mas sem deixar de cuidar uns dos outros. Nós fizemos todo um planejamento de quem iria pescar, caçar e as mulheres mais velhas ficaram responsáveis por fazer os medicamentos do conhecimento tradicional que ajudam a aumentar a imunidade. Além disso, as doações também têm sido muito importantes. E eu, como líder, é fundamental que eu venha para a cidade para reivindicar nossos direitos e continuar articulando parcerias para esse apoio”, explica Wallace Apurinã, coordenador da Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi (Opiaj).

Cada povo vive uma realidade singular, e foi por isso que cada um encontrou um modo muito particular de enfrentar a chegada avassaladora da pandemia. Na segunda parte desta reportagem, saiba como os Huni Kuĩ se articularam localmente para lidar com o medo trazido pela Covid-19, as estratégias dos Ashaninka para barrar a chegada do vírus no território e o impacto do medo nas aldeias, pela visão dos Apurinã.

Antes que se vá, pedimos o seu apoio. Neste momento de quarentena, mantemos nossos escritórios fechados, mas nossa equipe segue de casa trabalhando em nossas campanhas, pesquisas e no monitoramento dos crimes ambientais. Sua doação é muito importante para que esse trabalho continue sendo feito com independência e qualidade, pois não recebemos recursos de governos e empresas. Clique e se torne um doador

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Wednesday, September 2, 2020

We were told that mobility is about individual freedom and social status. This is nonsense.

by Elodie Mertz

 We were told that mobility is about individuals, freedom and social status. It’s not. Why we move ourselves and goods around, how we do it, who does it, and how often — all of this reflects broad societal choices that weren’t always made considering long term consequences. Now, if there’s one thing that COVID reminded us is that things can change quickly and now is the once in a generation opportunity to make our societies and our mobility more resilient. 

As a society we see mobility as something individual and related to freedom and social status — all thanks to the car, the oil and the marketing industry, as well as some politicians for thinking and living this way (this is ironic).

But let’s ask ourselves: where is the freedom when we are actually reliant on a polluting car to access a lot of services spread all over the place? Where is it when our kids can’t play outside or get to school by walking and cycling because it’s too dangerous, or when they grow up breathing unhealthy air into their lungs and bodies? Where is our individuality when everyone gets sold the same SUV model or the same low-cost airline ticket fueling the cash machine of polluting industries? Why are our holidays bound to a flying industry that shows no respect for the climate, society, or workers? What kind of “social status” do we get when higher purchase power allows us to consume more and bigger mobility that further erodes the most essential common good — our environment and a liveable climate on earth?

A woman wears a mouth and nose protection mask in public transport.
© Daniel Müller / Greenpeace

Today, we consume mobility as never before (exceptions made of the big COVID disruption) and these modern mobility consumption patterns play a big role in wreaking havoc on our planet. But not everyone moves the same. Those of us who have more purchase power move around A LOT, disproportionately impacting the climate in a negative way. Yet, the result is however the same for everyone: climate change is fuelled by exhaust pipe, air pollution keeps causing diseases and premature deaths, people die or are injured for life because of car accidents, communities are divided by roads, and we bury land and biodiversity under concrete making our environment a lot warmer (ask people spending heat waves in cities!).

More than individual changes, we want a system change!

A bike ride for the Clean Air Now campaign is organized on a highway in Berlin closed on Sunday.
© Ruben Neugebauer / Greenpeace

Greenpeace has led an active campaign on air pollution and mobility since 2017, creating a vital and often heated debate. But at the end of the day, our transport system is bigger than each of us, it’s about all of us... It’s more than individual change, we need a system change. A system change that prepares us to be more resilient and to adapt ourselves to the reality of climate change.

We want blue skies and healthy air. We want cities and villages where kids can play, with roads where they can walk and ride their bike. We want (urban) green spaces to cool down mentally and physically, heatwave or not. We want people to be autonomous, to be able to access all kinds of services (work, food, car and education services, green spaces…) by foot, by bike, by public transport without being reliant on a car. Cars should still be a tool accessible for people who need it the most but the cars left should be electric so more efficient (not as much energy lost in the combustion), less polluting and of reasonable size and power (bye bye SUVs!). For holidays, we want people to be able to opt for an affordable train ticket and not a cheap airline ticket fuelling the climate crisis. We want mobility to be a common good that is used wisely, in a sustainable manner and accessible to everyone in society. All this goes further than mobility because it questions our societal model, our spatial planning, our relationship with time and how we define progress.

Volunteers and activists are protesting in Paderborn. With a human chain and a blue carpet, they are demonstrating how a safe bike lane could look like.
© Bernd Arnold / Greenpeace

It is time to acknowledge that mobility is about society, autonomy and social cohesion. The rest is nonsense and greenwashing.

Elodie Mertz is a Clean Air & Mobility Campaigner at Greenpeace Belgium.

Agosto tem queimadas sem controle na Amazônia

por Greenpeace Brasil  

Mesmo com problema no satélite, GLO e moratória, números registram redução de apenas 5% em relação ao mesmo período do ano passado

Focos de calor em área de Prodes (2017-2019). Área próxima aos limites da Terra Indígena Kaxarari, município de Lábrea (AM). (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

As queimadas estão proibidas na Amazônia desde 16 de julho (decreto 10.424/2020), portanto em agosto foram registrados 29.308 focos de calor

ilegais na floresta.  Esse índice é o segundo maior número dos últimos 10 anos. 

Na comparação com agosto do ano passado, os números mostram uma redução de 5% no número de focos geral e aumento de 7,8% em áreas protegidas. Mas os números podem estar subestimados, já que no dia 16 de agosto o satélite de referência do INPE, o AQUA,  apresentou problemas técnicos e a publicação de dados foi suspensa pela NASA. 

Em um sobrevoo realizado no meio de agosto, o Greenpeace flagrou grandes áreas de queimadas, inclusive dentro de áreas protegidas. “Enquanto o governo discute o corte ou não de verbas para combate do desmatamento e queimadas, a Amazônia está queimando a um ritmo alarmante”, afirma Rômulo Batista, da campanha de Amazônia do Greenpeace. 

Dos focos de calor registrados em agosto, o Pará e o Amazonas são os estados que registraram maior aumento de queimadas no período. O Amazonas registrou o maior agosto da série histórica foram 8.031 queimadas e, no Pará, 4 municípios concentraram 68% dos 10.865 incêndios no estado. Essas mesmas 4 cidades concentram 19% de todo rebanho bovino do Pará, segundo dados do Efetivo Bovino do IBGE. Além disso, a área de influência da rodovia BR-163 foi palco de 5092 incêndios (48%).  

“Os números e as imagens chocantes mostram que o fogo na Amazônia não é uma agulha no palheiro, é um escândalo que deixa um amplo rastro de fumaça. Uma tragédia que estamos vendo se repetir”, diz Batista. “Ainda assim, o governo pretende cortar verbas de proteção ao meio ambiente no ano que vem”, lamenta. 

O fogo é usado por fazendeiros e grileiros para remover a floresta ou quando ela já está derrubada e seca pelo sol, visando aumentar as áreas para agropecuária, especulação de terras e grilagem. Ou seja, os incêndios não ocorrem de forma natural na Amazônia. 

A prática se tornou ainda mais comum com a falta de fiscalização e desmantelamento dos órgãos ambientais promovido por este governo. Na Amazônia, foram quase 1 mil focos por dia e Pantanal enfrenta situação sem precedentes, com quase 6 mil focos de calor em agosto, um aumento de 251% em relação ao mesmo período do ano passado.

“A fumaça desses incêndios ajuda a lotar os hospitais já sobrecarregados por conta da pandemia. As políticas antiambientais desse governo estão trazendo consequências drásticas para o meio ambiente e para todos nós”, afirma Rômulo Batista.

Como o governo Bolsonaro destrói nossas florestas

por Mariana Campos 

 Raio-x da política antiambiental do governo Bolsonaro na Amazônia é mostrado em reportagem da AP, resumida aqui. Confira.

Uma pesquisa publicada por esses dias pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), sobre o sentimento da população brasileira em relação à Amazônia, mostra que a tristeza, a indignação e a vergonha predominam. Essas respostas refletem, de certa forma, a insatisfação com as políticas atuais de proteção ambiental do país. 

Um raio-x do plano utilizado pelo governo federal em favor da destruição e do crime na Amazônia foi mostrado pela AP

, na última sexta-feira. A reportagem apresenta fatos e relatos que evidenciam, de maneira bastante clara, tudo o que vem sendo denunciado desde que Bolsonaro assumiu o mandato, passando suas boiadas contra a floresta e o clima. 

Para Luiza Lima, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, a resposta das autoridades brasileiras deve estar à altura da destruição provocada pelo governo Bolsonaro. “É preciso que os Poderes Legislativo e Judiciário investiguem a fundo e a contento as graves denúncias que indicam que o Poder Executivo está agindo de forma intencional contra seu dever constitucional de proteger as florestas e seus povos”.

Enquanto a floresta e a imagem do Brasil queimam, o governo apresenta justificativas sem sentido para os resultados de sua política. Uma delas é a falta de recursos, uma falácia fácil de desmentir. Além do orçamento exorbitante que está sendo empregado nas operações militares na Amazônia — cerca de R$ 60 milhões por mês —, há também recursos do Fundo Amazônia na ordem de R$ 1,5 bilhão congelados pelo governo federal, que poderiam ser utilizados para financiar a estrutura dos órgãos ambientais, para que façam um trabalho eficiente em campo. 

Também há recursos bloqueados do Fundo Clima e verbas da Petrobras recuperadas pela Operação Lava-Jato e reservados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à proteção da Amazônia. A inconstitucional omissão do governo em deixar o Fundo Amazônia e Fundo Clima parados é, inclusive, alvo de duas ações que correm no STF, como contamos aqui. Ou seja, dinheiro para preservar a maior floresta tropical do planeta não é problema.

Resumimos abaixo os pontos principais da reportagem da AP, originalmente escrita em inglês, indicando como a política antiambiental do governo federal tem operado. 

[É importante registrar que os servidores entrevistados pela AP falaram sob condição de anonimato, pois estão proibidos de passar informações para a imprensa desde que Ricardo Salles instituiu a lei da mordaça em órgãos do Ministério do Meio Ambiente — algo que também já denunciamos]. 

1. Operações militares estão focando esforços em abrir estradas para escoar matérias-primas para exportação, ao invés de proteger a floresta e punir criminosos.

Ao abrir estradas e construir pontes de acesso dentro da mata, os militares deixam ainda mais vulneráveis as áreas protegidas, como Unidades de Conservação e terras indígenas. Quem agradece são grupos cheios de más intenções, que passam a ter acesso facilitado a regiões de floresta que pretendem explorar de forma ilegal. 

Engana-se quem pensa que criminoso respeita áreas protegidas por lei: um levantamento do Greenpeace Brasil mostrou que, somente no mês de julho deste ano, 73% da destruição causada na Amazônia para a exploração de garimpo ocorreu em Unidades de Conservação e terras indígenas. Além disso, três áreas protegidas concentram 55% do desmatamento para garimpo no bioma. 

O governo Bolsonaro diz que os militares estão na Amazônia para defendê-la, mas não é isso que temos visto. Instalar infraestrutura que só estimula a derrubada de floresta não pode ser o foco de quem diz que vai frear o desmatamento.

2. Nenhuma grande ação contra criminosos foi feita na Amazônia desde que militares assumiram o comando, em maio. Desmatamento e queimadas só aumentaram.

Quando se trata de operações na floresta, os militares sempre foram mais eficientes apoiando o trabalho de inteligência e fiscalização, não o liderando. Até o General Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, reconhece isso na reportagem. No entanto, desde que os militares assumiram o comando das ações na Amazônia, em maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) perdeu autonomia para atuar. Assim, o conhecimento de campo de centenas de agentes do Ibama — destemidos em aplicar multas, destruir equipamentos flagrados em atividades ilegais e autuar criminosos  — tem sido dramaticamente desperdiçado. 

A floresta sente “na pele” a ineficiência dos subordinados do General Mourão: desde maio, o desmatamento e as queimadas só aumentaram.

3. Instrumentos fundamentais para localizar desmatamento e punir criminosos, como o uso de imagens de satélite, deixaram de ser usados. 

Um aliado de peso nas ações de fiscalização na Amazônia é o uso de imagens de satélite. Um especialista do Ibama disse à AP que 70% do desmatamento em muitas áreas podem ser localizados através de mapas aéreos da Agência Espacial Brasileira. Instrumentos como esse permitem ao Ibama descobrir quem é o proprietário das terras e responsabilizá-los. 

Como conhecimento não se adquire da noite para o dia, os militares não são capazes de usar essas ferramentas em prol da proteção da floresta. Mas a omissão e inação dos militares para combater o crime vão além de uma ‘mera’ incompetência técnica:

“O Exército poderia usar sua tecnologia para ver onde o desmatamento está crescendo, mapear tudo e ir atrás de quem é o responsável”, disse um servidor do Ibama. “Mas eles gastam seu tempo impedindo o Ibama de fazer isso ou trabalhando em projetos de construção.”

4. O número de multas por crimes ambientais caiu quase pela metade desde 2016, especialmente no governo Bolsonaro.

“Há redução das multas porque o Presidente não gosta delas, faz campanha contra elas”, disse um fiscal do Ibama à AP. “Se uma determinada unidade multa muito, eles recebem ligação de Brasília”.

O que o funcionário denuncia se reflete em números de multas aplicadas. E já conhecemos a dinâmica: menos multas leva a mais desmatamento e ao aumento da ação de criminosos. Segundo reportagem

da Agência Pública, entre janeiro e julho de 2020, o Ibama aplicou 40% a menos de multas em relação ao mesmo período no ano passado. Outro dado preocupante: “a cada dez municípios onde o Ibama multou menos em 2019, cerca de oito tiveram aumento no desmatamento no período”.

As poucas multas dadas estão paradas nos tais “núcleos de conciliação”, criados no governo Bolsonaro. Desde outubro, apenas cinco audiências foram realizadas

no Ibama e nenhuma no ICMBio para tratar das milhares de infrações.

5. Práticas ilegais ligadas à mineração, agricultura e extração de madeira deixaram de ser penalizadas. Frigoríficos ilegais têm operado livremente. 

Com o fracasso das operações militares na Amazônia, só resta aos grandes grupos de exploração ilegal da floresta cantarem suas vitórias. O Ibama, de mãos atadas, não está penalizando madeireiros, garimpeiros e pecuaristas ilegais.

É o que o fazendeiro Antônio Silva conta à AP. Ele diz que o Ibama costumava patrulhar o entorno de sua pequena fazenda, próxima a Novo Progresso (PA), em busca de grileiros (grupos organizados que invadem terras públicas), mas a realidade mudou. Segundo Antônio, antes os fiscais prendiam pessoas e destruíam máquinas; agora eles aparecem duas vezes por semana para apagar alguns incêndios, conversar e pronto.

A Amazônia precisa de você. Agora mais do que nunca. E para cada voz de brasileiro ou brasileira que se erguer, milhares de outras se somarão até nos transformarmos em uma ampla rede de proteção ao redor da Amazônia e seus povos. Clique aqui e junte-se a mais de 100 mil pessoas que defendem a floresta.

sobre o(a) autor(a)

Jornalista do Greenpeace Brasil em Brasília, colabora na campanha de Políticas Públicas e Agricultura. É vegana e gosta de andar descalça na floresta. Começou a abraçar árvores ...  Read More