Wednesday, November 12, 2014

China e EUA firmam acordo climático

China e Estados Unidos, dois maiores emissores mundiais, firmam acordo para combater mudanças climáticas. Notícia é positiva, mas poderia ser mais ambiciosa. 

 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimenta
o presidente da China, Xi Jinping, após entrevista coletiva em
Pequim (©Pablo Martinez Monsivais/AP) 

Quando o tema é a política sobre mudanças climáticas e energia, hoje pode ser o dia mais importante deste século. A China e os Estados Unidos chegaram a um acordo histórico, negociado de forma privada durante meses, e que apresenta o primeiro passo concreto da China em relação a metas internacionais de emissões de gases de efeito estufa.
A China se comprometeu a começar a redução de emissões a partir de 2030 – podendo, inclusive, antecipar esta data – e ter 20% de energia limpa em sua matriz energética no mesmo ano. Xi Jiping, presidente chinês, afirmou que o país irá instalar até 1000GW de energias limpas até 2030, o que significa quase todo o setor de energia dos Estados Unidos.
Pelo mesmo acordo, os Estados Unidos, segundo maior emissor mundial se compromete a diminuir suas emissões entre 26% e 27% em relação aos níveis de 2005. É a primeira vez que Obama amplia a proposta de redução para além da meta de 17% até 2020.
Trata-se de um avanço em relação a declaração chinesa durante a Cúpula do Clima em Nova Iorque em setembro, quando o vice-premiê Zhang Gaoli disse que a China estava se preparando para começar a redução de emissões “o mais rápido possível”. As notícias são positivas, mas poderiam ser mais ambiciosas e ainda há uma lacuna entre política e ciência. Se o mundo quer evitar os impactos mais perigosos e danosos das mudanças climáticas, o pico de emissões da China pode e deve acontecer muito antes que 2030.
“Os cientistas trazem cada vez mais evidências da urgência climática e grandes potências, como Estados Unidos e China, dão sinal de se importar e começam a agir. Enquanto isso, o Brasil parece ter caminhado para trás. Vemos o desmatamento subindo e uma forte preferência por investir em combustíveis fósseis na próxima década”, disse Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.
Perguntas que permanecem
Ainda restam algumas questões relacionadas às metas das emissões do acordo da ONU (Organização das Nações Unidas) que devem ser apresentadas em março do ano que vem e entrar em vigor depois de 2020.
Dentro do cronograma da ONU, os países devem apresentar suas “contribuições nacionalmente determinadas” em março de 2015, o que explica a importância da Conferência do Clima que acontecerá em Lima, no Peru, em menos de um mês.
“Trata-se de uma etapa preparatória importante e será um momento no qual o Brasil poderá mostrar se quer retomar o protagonismo no tema das mudanças climáticas e se tomará o rumo certo ou se continuará na contramão com uma curva de emissões em alta, colocando em xeque os pontos positivos do passado”, continuou Astrini.
Para a China, uma questão importante é se ela vai apresentar uma meta e um número absoluto. É provável que sim, já que para calcular um “ano para o pico das emissões” é necessário fazer cálculos em termos absolutos. Outra dúvida é sobre o calendário da meta – se será para 2025, 2030 ou talvez uma combinação destas duas datas. Um período mais curto de compromisso – de 2020 até 2025 – poderia ter o efeito perverso de bloquear a China em um caminho relativamente alto de carbono, ao invés de permitir uma flexibilização para aumentar sua ambição.
Um acordo pode ser feito
Do lado da diplomacia, este acordo é extremamente encorajador: os dois países que são os maiores emissores perceberam que estão juntos nessa missão e que terão que agir juntos.
As negociações privadas foram longas e ultimamente os dois presidentes – Obama e Xi – vêm dando sinais de que estão dispostos a superar interesses econômicos para reconhecer a responsabilidade compartilhada nesse assunto.
Este é um bom sinal para o acordo climático global que deverá ser assinado na Conferência do Clima das Nações Unidas em Paris, em dezembro de 2015. Se as duas potências estão levando a sério a ciência das mudanças climáticas, então, esse anúncio conjunto pode ser o começo de uma série de ações climáticas que precisam ser mais ambiciosas.

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