Wednesday, October 25, 2023

Sede da Petrobras, no Rio, recebe projeções contra petróleo na Amazônia

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Mobilização do Greenpeace Brasil ressalta que a defesa da Amazônia é incompatível com a exploração de petróleo. (Foto: Lucas Landau/Greenpeace)

A emblemática sede da Petrobras no centro do Rio de Janeiro foi iluminada, na noite desta terça-feira (24), por projeções em defesa de uma transição energética justa e contra o avanço da exploração de petróleo na Amazônia.

A ação pacífica do Greenpeace Brasil acontece no marco dos 70 anos da estatal, celebrados no início do mês, e defende que a Petrobras realize uma transformação gradual e efetiva de seu portfólio para que se torne 100% renovável e deixe o petróleo no passado.

As projeções também divulgaram o recém-lançado abaixo-assinado “Petróleo Na Amazônia Não, que pede ao presidente Lula e ao governo federal que cumpram o compromisso de proteger a Amazônia e a declarem como zona livre de petróleo.

“Diante da gravidade da crise climática, o foco principal da Petrobras, que tem o Estado brasileiro como acionista majoritário, deve ser a transição energética justa e não a ampliação da exploração de petróleo em áreas de alta sensibilidade socioambiental como a Bacia da Foz do Amazonas”, defende Enrico Marone, porta-voz da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil.

O oceanógrafo também destaca o papel do presidente Lula e do governo federal neste processo.

“Defender a Amazônia é incompatível com a exploração de petróleo. Esses planos podem impactar as pretensões de protagonismo do governo brasileiro no combate à crise climática e, além de promover ameaças à biodiversidade e aos povos tradicionais, pode afastar financiamentos climáticos do país”, complementa. 

O Greenpeace Brasil alerta que priorizar a exploração e produção de petróleo é continuar a investir em um modelo que agrava a crise climática e eventos extremos como a seca severa que atinge a Amazônia hoje.

Faça parte do abaixo-assinado “Petróleo na Amazônia Não” e ajude a pressionar o presidente Lula a se comprometer com a não exploração de petróleo na Amazônia! 

 sobre o(a) autor(a)

Lu Sudré é jornalista do Greenpeace Brasil em São Paulo e atua na frente de Oceanos. Tem experiência na cobertura de temas relacionados ao meio ambiente, direitos humanos e polític

Greenpeace Brasil lança abaixo-assinado contra exploração de petróleo na Amazônia

Greenpeace Brasil 

 Petição “Petróleo na Amazônia Não” pressiona o presidente Lula e o governo federal para que se comprometam a frear o avanço do petróleo na região

O governo brasileiro tem uma escolha a fazer: continuar investindo no petróleo ou proteger a Amazônia e priorizar energias limpas em nome do nosso futuro (Ilustração: Estúdio Rebimboca)

Diante da crescente pressão em defesa da abertura de novas fronteiras de petróleo na costa amazônica, o Greenpeace Brasil lança, nesta terça-feira (24), um abaixo-assinado para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo federal a declarar a Amazônia como uma zona livre de petróleo, impedindo o avanço da atividade na região.

Lula tem colocado o Brasil como liderança climática e amazônica, no entanto, esse protagonismo está ameaçado pela aposta na expansão do petróleo em áreas sensíveis, como a Bacia da Foz do Amazonas.

A proteção da Amazônia é um compromisso assumido pela gestão federal. Apoiar projetos com alto potencial de impacto socioambiental na região é uma contradição que pode fazer com que o país fracasse em se consolidar como potência ambiental e climática em nível global.

Além das ameaças à biodiversidade a aos povos da floresta, priorizar o petróleo é continuar a investir em um modelo que agrava a crise climática e eventos extremos como a seca severa que atinge a Amazônia hoje.

Diante do processo de descarbonização da economia global, estamos falando não só de um erro socioambiental e climático, mas também de um possível equívoco econômico considerando a perspectiva de declínio da demanda mundial de petróleo.

A postura pode, inclusive, fragilizar o papel assumido pelo presidente Lula de cobrar os países mais ricos, que mais contribuem para a crise climática, e até mesmo afastar oportunidades de financiamento climático.

“Estamos chamando o presidente Lula e o governo federal para um posicionamento compatível com o desafio climático que o mundo enfrenta hoje, e para que transformem discursos em ações reais”, reitera Enrico Marone, porta-voz da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil.

“Para fortalecer o protagonismo do Brasil no combate à crise climática, reduzir o desmatamento não basta: é preciso impedir o avanço do petróleo na Amazônia, que conta com áreas sensíveis como a Bacia da Foz do Amazonas, região que abriga extensas faixas de manguezais e o Grande Sistema de Recifes do Amazonas, uma biodiversidade única que deve ser protegida”, ressalta o oceanógrafo.

Atualmente na Amazônia brasileira existem 451 blocos, marítimos e terrestres, nas categorias “em estudo”, “oferta” e “concessão”, o que nos dá a dimensão do tamanho da ameaça aos povos, à floresta e aos rios e mares da costa amazônica.

O petróleo é nosso passado. É hora de investir em uma transição energética justa de verdade! Precisamos de um modelo de desenvolvimento que respeite os limites da natureza, os direitos dos povos e que conte com o comprometimento de diversos setores do Estado – incluindo a própria Petrobras, com uma transformação gradual e efetiva de seu portfólio para que se torne 100% renovável.

Para garantirmos um futuro, para o Brasil e para o planeta, precisamos deixar o petróleo para trás e defender a Amazônia para além do discurso.

Nos ajude a pressionar o presidente Lula e o governo federal para que declarem a Amazônia como zona livre de petróleo. Podemos contar com você? Assine e compartilhe com seus contatos!

Um ano do Marco Global da Biodiversidade: governos precisam agir para frear perda de espécies

Laís Modelli 

Greenpeace Brasil participou da reunião preparatória da COP de Biodiversidade e alertou para a necessidade de conectar as agendas de clima e biodiversidade no combate às crises atuais. 

Quase um ano após a criação do Marco Global da Biodiversidade, que visa deter e reverter a perda de biodiversidade nesta década (entenda abaixo), países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) se encontraram em Nairóbi, no Quênia, entre 15 e 19 de outubro, para a 25ª reunião do Órgão Subsidiário de Aconselhamento Científico, Técnico e Tecnológico (SBSTTA em inglês), da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, a COP da Biodiversidade

O evento ocorre a cada dois anos e tem por objetivo fornecer avaliações sobre o estado da diversidade biológica global e propor medidas para implementar o Marco.

Uma delegação de observadores formada pelo Greenpeace Brasil e o Greenpeace Internacional participou da reunião e propôs, entre outros pontos, ajustes nos documentos sobre mudanças climáticas e biodiversidade.

“Dentre os temas tratados, a prioridade do Greenpeace foi alertar para a necessidade de se conectar as agendas de biodiversidade e mudanças climáticas. É fundamental que esses temas estejam alinhados, com ações sinérgicas, que gerem benefício para ambos, evitando que ações da agenda de clima atrapalhem ou não gerem resultado para a de biodiversidade, e vice-e-versa. As crises climática e da biodiversidade estão conectadas e os esforços também precisam estar”, alerta a porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil e gestora ambiental Cristiane Mazzetti.

Durante os dias em que esteve no Quênia, o Greenpeace dialogou com diversos observadores e países e alertou para possíveis impactos negativos de medidas mitigadoras de ações de clima para a biodiversidade. 

“Também enviamos nossas sugestões para avançar com a discussão sobre mudanças climáticas e biodiversidade aos parceiros e delegações de diversos países, inclusive a delegação do Brasil, para que pudesse ser considerado pelas partes ao aprimorar as recomendações e fortalecer a implementação do Marco Global. Porém, o documento avançou pouco durante a reunião em Nairóbi e os pontos mais específicos serão discutidos somente na COP16”, explica Mazzetti. 

A porta-voz ressalta que, apesar do Órgão Subsidiário ter caráter técnico, “muitas questões políticas acabam entrando em jogo e influenciando no consenso e divergência entre os países”. 

As recomendações técnicas feitas na 25ª reunião do Órgão Subsidiário de Aconselhamento Científico, Técnico e Tecnológico agora serão levadas para a COP de Biodiversidade de 2024, onde os representantes dos países definirão decisões importantes para o avanço do Marco Global, ainda que isso não impeça que os países avancem na implementação das metas. 

Cuxiú-de-nariz-branco na Amazônia. © Valdir Hobus
O cuxiú-de-nariz-branco ou cuxiú-de-nariz-vermelho (Chiropotes albinasus) é uma espécie de macaco ameaçada de extinção, endêmica do centro-sul da Amazônia. © Valdir Hobus
© Valdir Hobus

Por que precisamos de um marco global pela biodiversidade?

Nosso planeta enfrenta uma perda de espécies em um ritmo tão acelerado que os cientistas afirmam que a Humanidade já pode estar passando por uma nova extinção em massa, como a que eliminou os dinossauros. Não é exagero a comparação, uma vez que cerca de um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção

Por isso, a cada dois anos, a ONU organiza a COP da Biodiversidade, uma prima da COP do Clima, com o objetivo de estabelecer uma estrutura de trabalho para a proteção global da biodiversidade, definindo planos para mitigar a crise que o planeta está enfrentando e restaurar a biodiversidade. 

No ano passado, a COP15, realizada em Montreal, no Canadá, foi estabelecido o  Marco Global da Biodiversidade (Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework, em inglês) com 23 metas para reverter a perda de biodiversidade no mundo, restaurar, manter e melhorar as contribuições da natureza às pessoa (tais como a regulação do ar, da água e do clima, a saúde dos solos, a polinização e a redução do risco de enfermidades) e colocar a natureza em um caminho de recuperação até 2050. 

A meta considerada a mais ambiciosa é a que visa ter 30% das áreas efetivamente conservadas até 2030, além de restaurar outros 30% em áreas degradadas, bem como zerar a perda de territórios biodiversos. Neste sentido, foi estabelecido o Acordo 30×30, com o objetivo de proteger 30% da biodiversidade do mundo, na terra e no mar, até 2030.

O que esperar da COP16 de Biodiversidade

Considerando que todas as nossas crises ambientais (seja no clima, seja na biodiversidade) e o bem estar humano estão interligados, o Greenpeace Brasil lembra que é urgente que os países estabeleçam caminhos para implementar as metas do Marco Global da Biodiversidade, e que boa parte desses caminhos sejam definidos já na próxima Conferência das Partes, a COP16 de Biodiversidade, que será em 2024, ainda sem local definido.  

“Para a COP16, a expectativa é que os países tenham avançado nas suas estratégias nacionais para a biodiversidade. Além disso, o tema de ‘clima e biodiversidade’ precisa caminhar. Essas são crises irmãs e ambas precisam de ações que gerem os melhores resultados no curto, médio e  longo prazo. Frequentemente os extremos climáticos batem à nossa porta, e a perda da biodiversidade, apesar de uma crise mais silenciosa, também segue acelerada e as perdas são irreversíveis. Não há tempo a perder”, afirma Mazzetti. 

Floresta protegida pelo Parque Estadual Cristalino, no Mato Grosso, guarda uma enorme biodiversidade endêmica.
© Greenpeace / Daniel Beltrá

Como você pode ajudar

Assim como no Acordo de Paris, em que cada país membro apresenta uma meta de redução de carbono em um período de tempo, no Marco Global da Biodiversidade cada país deve apresentar uma estratégia de ação nacional de defesa da diversidade biológica.

Chamada de Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB), a estratégia brasileira no âmbito do Marco Global de Biodiversidade será atualizada nos próximos meses e, neste momento, há uma consulta pública disponível no site do Ministério do Meio Ambiente. Esta é a hora de pressionarmos o governo pela mudança que queremos!

Como? A consulta pública estará disponível até o dia 31 de outubro. Até lá, qualquer pessoa ou organização pode enviar sugestões e observações para cada uma das 23 metas do Marco da Biodiversidade, a serem integradas a EPANB brasileira. O link está aqui.

Vale lembrar que o Brasil é peça chave para conter a crise da natureza, pois o país abriga 20% de toda a biodiversidade do mundo, tendo o maior número de espécies conhecidas de plantas, anfíbios e primatas do planeta.

Outra maneira de pressionar os governos por mudanças e ações para conter a crise climática e da biodiversidade é apoiar e se juntar ao Greenpeace Brasil! 

 

sobre o(a) autor(a)

Laís é jornalista especializada na cobertura de temas relacionados à Amazônia e às negociações climáticas há quase dez anos. Rema e limpa praias nas horas vagas.

Monday, October 16, 2023

Queimadas no Amazonas batem recorde para o mês de outubro

Greenpeace Brasil 

Em apenas dez dias, o estado do Amazonas atingiu a máxima histórica de 2.684 focos de calor, enquanto todo o mês de outubro do ano passado registrou 1.503 

Fumaça das queimadas encobre a Ponte Jornalista Phelippe Daou, sobre o Rio Negro, em Manaus (AM). (© Marizilda Cruppe / Greenpeace)

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicados nesta terça-feira (10), o estado do Amazonas atingiu 2.684 focos de calor na Amazônia em apenas dez dias. O número registrado nesse curto período já supera a máxima registrada em toda a série histórica para o mês de outubro no estado. 

Até o momento, os municípios de Lábrea (344 focos de calor), Boca do Acre (263), ambos no sul do estado, e Novo Aripuanã (245) lideram o número de queimadas na Amazônia representando 32% do total de incêndios no estado. Como efeito imediato do crime, muitas cidades do estado e suas populações vêm sufocando com a fumaça das queimadas há mais de dois meses. Na manhã desta quarta-feira (11) a qualidade do ar da capital Manaus foi considerada pelo painel  World’s Air Polution como a segunda pior do mundo. 

A situação enfrentada pelo estado hoje é resultado da combinação de uma série de fatores. Este ano, o verão amazônico, quando o clima mais seco favorece a ação de criminosos para o desmatamento e as queimadas, foi potencializado pelo fenômeno climático El Niño, causado pelo aumento das temperaturas do oceano Pacífico, e por um clima ainda mais quente que o normal. Se não bastasse tudo isso, a falta de ações estruturantes por parte do governo do estado contribuiu para o aumento das queimadas na região.

“A seca na região Norte do país já está causando impactos severos na vida e saúde das comunidades locais e na biodiversidade. Mesmo com a redução dos alertas de desmatamento em 48% nos primeiros nove meses do ano na Amazônia e da redução de 64% no Amazonas, estamos longe de reverter a lógica da destruição na região”, afirma Thaís Bannwart, da campanha de Amazônia do Greenpeace. 

“Para além de ações emergenciais, cruciais neste momento, precisamos que o governador Wilson Lima avance em ações e programas que induzam a uma nova lógica econômica que concilie a floresta em pé com geração de renda para os moradores do interior, além da criação de Unidades de Conservação e demarcação de territórios tradicionais, a regularização ambiental e o amplo apoio às ações dos órgãos de fiscalização à punição dos criminosos que destroem a Amazônia, algo que o governador não fez em seu primeiro mandato”, completa. 

Escalada da destruição

De acordo com dados do sistema Prodes, do Inpe, em 2018 o Amazonas ocupava a 4º posição entre os estados que mais desmatavam na Amazônia. Isso começou a mudar em 2019, primeiro ano da dobradinha Wilson Lima (UNIÃO)/Bolsonaro, quando o estado passou para a 3º posição e, em 2021, o Amazonas superou definitivamente o Mato Grosso (que ocupou por muitos anos o segundo lugar) e passou a ser o 2º estado que mais desmata no bioma, posição que ocupa até hoje. 

De lá para cá, a gestão estadual, reeleita, foi reafirmando seu compromisso com o legado antiambiental dos últimos quatro anos, e chegou a utilizar politicamente a estiagem extrema que penaliza a população para tentar avançar na marra com o controverso projeto de asfaltamento da BR-319, que liga o arco do desmatamento, e uma das fronteiras mais ativas e ferozes do desmatamento no momento, ao coração da Amazônia. Projeto que segue travado, pois os governos interessados se negam a cumprir as recomendações de mitigação de riscos e as consultas às populações afetadas.  

Inclusive, é justamente na área de influência da rodovia, no sul do Amazonas, que se concentram os maiores índices de desmatamento do estado. Em 2020, cerca de 21.600 hectares de florestas foram desmatados na região da BR-319, em 2021 subiu para 45.300 hectares, mais que o dobro do ano anterior, e em 2022 alcançou o total de 48.000 hectares, segundo dados do Inpe. 

Queimada registrada município de Canutama, Amazonas, em sobrevoo realizado pelo Greenpeace em agosto de 2023. (© Marizilda Cruppe / Greenpeace)

Uma nota técnica publicada pelo Observatório da BR-319, em julho deste ano (Abertura e expansão de ramais em quatro municípios sob influência da rodovia BR-319), mostra que a extensão de ramais irregulares abertos a partir da rodovia em quatro municípios do sul do Amazonas (Canutama, Humaitá, Manicoré e Tapauá) já é seis vezes maior que a própria BR. Outra nota técnica publicada recentemente pela organização aponta que dos 5.092 quilômetros (km) de ramais abertos nesses municípios, 55% estão concentrados em Florestas Públicas Não Destinadas (FPND).  

Para a engenheira florestal Tayane Carvalho, autora da segunda nota, os ativos ambientais presentes nas FPND do sul do Amazonas são um grande atrativo para grileiros e desmatadores. “Esse elemento atrativo vem fazendo com que muitos infratores ambientais migrem para essa região visando a extração ilegal de madeira, o desmatamento e a posterior introdução de gado e grilagem terras, processos de ilegalidade que são facilitados pela abertura de ramais”, afirma. É um prato cheio para a destruição, e sem que o poder público aja para evitar isso. 

Carta aos governadores

Em agosto deste ano o Greenpeace Brasil publicou uma carta aberta aos governadores dos nove estados amazônicos que compõem o Consórcio Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, pedindo a adoção de medidas urgentes para zerar o desmatamento até 2030, como a validação de todos os Cadastros Ambientais Rurais (CAR) da região. 

“Esse aumento dos focos de calor no Amazonas é o agravamento do incentivo por parte do governo estadual na destruição das florestas. Não adianta o governador Wilson Lima decretar emergência devido às secas que afetam a população e a biodiversidade, se a sua política defende a mineração em território indígena, e se coloca ao lado de pecuaristas punidos pelo IBAMA no sul do estado”, finaliza Thais.

Tuesday, October 3, 2023

Petrobras, não é tarde para mudar… ainda!

Greenpeace Brasil 

Os 70 anos da Petrobras são uma oportunidade para que a empresa redirecione seus esforços para uma transição energética justa real, um processo que começa pela não exploração de petróleo em áreas sensíveis

Nos 70 anos da Petrobras, queremos celebrar não só sua história, mas sua transformação! (Imagem: Estúdio Rebimboca/Greenpeace)

A Petrobras completa 70 anos neste 3 de outubro. São sete décadas sendo uma referência para a população brasileira. Este marco deve ser comemorado, mas pensar sobre o que fomos e sobre o que seremos é um clichê que faz parte de todo aniversário. Por isso, perguntamos: Qual Petrobras teremos nos próximos 70 anos? 

A Petrobras que segue dependente da exploração de petróleo, e avançando sobre áreas extremamente sensíveis como a Bacia da Foz do Amazonas, ou uma Petrobras com visão estratégica, que olhe para os desafios de um mundo em plena crise climática, e que redirecione seus investimentos para fontes renováveis?

 Justamente devido à sua relevância nacional, a empresa tem grande responsabilidade sobre os rumos do país. Mas para que tenhamos um futuro, a produção de petróleo deve permanecer no passado! 

O próprio mercado tende a fechar as portas para o petróleo diante do agravamento dos eventos climáticos extremos. Insistir nesse erro econômico e socioambiental, indo na contramão da economia global, definitivamente não é um bom plano para os próximos 70 anos. 

A queima de combustíveis fósseis é uma das principais vilãs das mudanças climáticas, uma ameaça concreta para todas as formas de vida. Por isso, neste aniversário, temos um recado importante: 

Petrobras, não é tarde para mudar… ainda! Mas logo será, se seguirmos insistindo nessa atividade altamente destrutiva. As ondas de calor extremo e as fortes chuvas, cada vez mais frequentes e intensas, são prova disso.

Temos um pedido especial

Sabemos que o aniversário não é nosso, mas o pedido é: Priorizem a transição energética justa de verdade! Isso significa apresentar um plano efetivo de transformação de seu portfólio, com metas para que se torne uma empresa de energia 100% renovável.  

A Petrobras não é a única responsável pelas mudanças que precisamos, mas é um ator-chave para que elas aconteçam. A empresa até já se apresenta como protagonista desse processo, mas, ao mesmo tempo, insiste em explorar a Margem Equatorial e em abrir novos poços para exploração em áreas sensíveis.

Justamente por deter capacidade técnica de ponta, mundialmente reconhecida, a Petrobrás tem a responsabilidade de liderar o mercado de energia em direção a uma matriz limpa, descarbonizada e sustentável.

Priorizar a produção de petróleo, como já anunciou Jean Paul Prates, presidente da estatal, é insistir em um modelo fadado ao fracasso e insustentável. Um erro que continuará fazendo com que o investimento em energia solar, eólica e em outras tecnologias renováveis seja colocado em segundo plano.

Nos 70 anos da Petrobras, queremos celebrar não só sua história, mas sua transformação!

Desejamos à empresa e ao Brasil um desenvolvimento baseado numa matriz energética limpa e renovável, no melhor aproveitamento dos recursos naturais, com projetos que possam ajudar a consolidar o país como uma potência econômica e ambiental no contexto global.

Antes que a empresa assopre as velas e inicie esse novo ciclo, reforçamos nosso pedido: Petrobras, dê um presente à população brasileira e
deixe o petróleo no passado!

Queimadas na Amazônia têm queda de 36% em setembro, mas fumaça segue implacável

Rosana Villar 

No acumulado do ano, número de focos de calor também teve queda, mas ainda não é suficiente para deter a crise humanitária e ambiental que se instalou na região

Queimada em floresta pública não destinada federal localizada no município de Canutama, Amazonas, registrada em 2 de agosto de 2023 (© Marizilda Cruppe / Greenpeace)

O número de focos de calor na Amazônia registra nova queda em setembro, de 36%, na comparação com o mesmo mês de 2022, segundo dados divulgados pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ontem (1/10). Mas o resultado não chega a ser uma boa notícia, já que a base de comparação são os dados do ano passado, quando tivemos o pior setembro da última década, e o número de focos segue em um patamar inaceitável. 

Segundo os dados do Inpe, em setembro foram registrados 26.452 focos de calor no bioma, contra 41.282 do mesmo mês de 2022. O estado do Pará segue com a liderança, com 35,94% dos focos detectados no mês (9.507), com destaque para Altamira e São Félix do Xingu, que lideraram o ranking de queimadas. A APA Triunfo do Xingu, também no estado, concentrou 42% dos focos de calor detectados em Unidades de Conservação. 

Já o Amazonas segue ostentando a segunda posição entre os que mais queimaram, o estado foi responsável por 26,43% dos focos (6.991), ou seja, 1 em cada 4 focos de calor ocorreram no estado. O Amazonas também teve o maior número de municípios no TOP 10 de focos de calor, com quatro municípios neste vergonhoso ranking: Lábrea, Novo Aripuanã, Boca do Acre e Humaitá.

O estado é o mais afetado pela severa estiagem que já atinge diversos estados na região Norte. Até 29 de setembro, 23 municípios entraram em estado de emergência, e o Governador decretou situação de emergência no Estado, onde mais de 170 mil pessoas já enfrentam dificuldades, com acesso restrito a itens básicos, como alimentos e água potável. A população do estado vive debaixo de fumaça há quase dois meses, devido a intensidade das queimadas, aliada ao tempo excepcionalmente quente e seco deste ano, com pouca ação por parte do governo estadual para deter a grilagem, o desmatamento e o fogo criminoso. 

Pelo contrário, se de um lado o governador Wilson Lima (União) decreta emergência, devido às secas que afetam a população e a biodiversidade, de outro defende a mineração em território indígena, e se coloca ao lado de pecuaristas punidos pelo IBAMA no sul do estado, que vem se tornando o epicentro da destruição. A situação vivida hoje, foi agravada pelo intenso incentivo à destruição visto nos últimos anos. 

No acumulado de janeiro a setembro, o número de focos de calor chegou a 57.941, número 33% menor que o registrado no mesmo período de 2022, quando o número de focos já chegava a 87.304. Novamente, uma redução necessária, mas com números ainda aquém da necessidade que a emergência climática nos impõe. 

Ativistas do Greenpeace fazem uma manifestação em área recém queimada em Porto Velho, Rondônia. (© Marizilda Cruppe / Greenpeace)

Corrida contra o tempo

As secas extremas que já afetam milhares de pessoas na região Norte são efeito da crise climática e agravadas pelo El Niño, que ganhou força em um ambiente já mais quente. Junte-se a isso a fumaça das queimadas e você tem uma crise humanitária, ainda sem prazo para acabar, já que a previsão é que a estiagem pode durar até pelo menos novembro. 

Atualmente, 49% das emissões de gases do efeito estufa do Brasil vem do desmatamento e das queimadas. Então não adianta reclamar do calor e da seca, e continuar permitindo que o desmatamento e o fogo criminoso aconteçam. Pois, no final, os mais impactados pelos eventos extremos, como o que vemos agora no bioma, não são os gigantes do agronegócio, que contribuem para o problema, mas sim as populações ribeirinhas e indígenas, que têm pouco ou quase nenhum acesso a serviços e infra estrutura básicos. 

As mudanças climáticas intensificam os eventos extremos, como alerta o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e cientistas ja vinham avisando dos possiveis impactos do El Niño deste ano desde julho.

O Greenpeace também vem emitindo alertas. Em julho, lançamos a Carta Pelo Futuro, onde recomendamos medidas importantes a serem tomadas pelos governadores do Consórcio Amazônia Legal, para endurecer o cerco contra o crime ambiental e evitar uma tragédia, como por exemplo, o cancelamento imediato do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em áreas públicas e a validação de outros milhares. Esse registro autodeclarado vem sendo largamente usado no processo de grilagem de terras na Amazônia. Precisamos que os estados se comprometam com o Dezmatamento Zero até 2030 e começem a fazer por onde. O tempo das promessas já acabou. 

Lago do Padre, em Manacapuru, Amazonas. Em 2023, estados da Amazônia enfrentam uma forte estiagem, que secou leitos de rios e lagos em diversos municípios. (© Marizilda Cruppe / Greenpeace)

Greenpeace se une à sociedade para ajudar atingidos pela seca 

Neste momento de emergência, vamos trabalhar junto a parceiros para levar itens de primeira necessidade para as vítimas da seca extrema e prolongada no Norte do país. Para isso, o Greenpeace abriu uma campanha de arrecadação. 

Os recursos reunidos serão destinados à compra e entrega de suprimentos emergenciais, como alimentos e água para populações vulnerabilizadas pela seca – em especial, povos indígenas e comunidades ribeirinhas. Assim como fizemos durante a pandemia de COVID-19, nossos esforços e nosso avião estarão focados no apoio aos mais afetados por esse evento climático extremo.

 sobre o(a) autor(a)

Jornalista do Greenpeace Brasil em Manaus. Adora acampar e o cheiro da floresta depois da chuva. Ama sua filha, dormir, cozinhar e contar histórias, nessa ordem.